Literatura Hungara

HUNGRIA, A TERRA DOS MAGIARES

VASCO OLIVEIRA E CUNHA

Vice-Presidente do ISPV

O povo húngaro comemorou em 1996 os 1100 anos da fundação do seu Estado. Durante um ano, actos públicos, conferências, congressos, exposições, espectáculos populares, etc., preencheram o quotidiano de uma nação com uma história plena de convulsões profundas mas que conseguiu uma cultura própria na integração de influências tão díspares como as que até à Hungria chegaram do leste e do ocidente.

Associando-se a estas comemorações, a EAIE (European Association for International Education) realizou a sua 8ª Conferência Anual em Budapeste entre 4 e 7 de Dezembro. Tema aglutinador – “On Equal Terms” -, a perspectiva de uma cooperação igualitária entre os países da UE e os da Europa Central e Oriental que recuperaram a independência política a partir de 1989.

Abordaremos aspectos essenciais da conferência de Budapest num dos próximos números de Millenium, dando especial destaque a uma temática que tem constituído preocupação quase permanente desta revista – a avaliação da qualidade da formação no ensino superior -, agora no âmbito específico da internacionalização da educação.

No presente número, e como pano de fundo para a leitura de dois artigos sobre o ensino superior húngaro, deixam-se apenas alguns dados sobre a terra dos Magiares, as suas gentes e uma cultura rica construída ao longo de onze séculos.

1. A terra e os seus recursos

Muitas vezes descrita como um país plano, a Hungria está rodeada pelos Alpes, a ocidente, e pelos Cárpatos, a norte e a leste.

O rio Danúbio, que faz fronteira parcial com a República Eslovaca, corre para sul, para a Jugoslávia, dividindo o país em duas regiões: para leste, a Grande Planície Húngara (Nagyalföld); para norte, as terras altas distribuindo-se ao longo da fronteira desde a garganta do rio em Esztergom, e que incluem as montanhas Bukk e Mátra, situando-se nestas últimas o monte Ke”kes, ponto mais elevado do país (1015m).

A área a oeste do Danúbio, conhecida por Transdanúbia, apresenta formas de solo variadas. A sul, os montes Mecsek, e a norte, os montes Bakony de onde se pode observar o Balaton, o maior lago de água doce da Europa Central, qualificado localmente de ”Mar dos Húngaros”. O pequeno Alföld (Pequena Planície) no extremo noroeste estende-se para dentro da República Eslovaca.

De acordo com dados de 1989, 18% do solo encontra-se florestado sendo o carvalho uma das espécies dominantes. No solo negro das terras dedicadas à agricultura, cultivam-se forragens, trigo, milho, batata, beterraba, sendo também abundantes os pomares. A criação de gado, nomeadamente de bovinos e de cavalos, é outro recurso importante do país.

2. A população e as cidades

Com cerca de onze milhões de habitantes, 97% dos quais são Magiares, decendentes de tribos FinoÚgricas e Turcas que se misturaram com tribos Avar e Eslavas na Hungria do séc. IX A.D., e 3% constituídos por minorias étnicas (alemães, eslovacos, croatas e romenos), 3/5 da população vive em zonas urbanas, em pequenas cidades rurais como Kecskemét, Hódmezövásárhely, e em grandes aglomerados industriais e comerciais de que se destacam:

  • Budapest (2,5 milhões) capital cultural e económica, centro industrial divesificado em que a construção naval e a metalo-mecânica têm lugar dominante;
  • Debrecen (220.000) no leste do país, centro agrícola e comercial;
  • Miskolc (212.000), no nordeste, no rio Tisza, a segunda via fluvial da Hungria, perto das fronteiras com a Roménia e com a Jugoslávia, principal centro da indústria química do país;
  • Pécs (185.000), no sul, com a manufactura como principal actividade industrial.

3. Alguns traços culturais relevantes

Os antigos Magiares tinham uma cultura pagã com motivos e ritos do leste europeu baseados em contos e na arte e música populares.

Com a conversão húngara ao cristianismo no séc. X os elementos culturais tradicionais foram substituídos pelos Padrões do ocidente e o latim tornou-se a língua oficial e literária.

Dos Séc. XV ao XX a Hungria foi muitas vezes considerada o “bastião protector da civilização ocidental”. Exemplos concretos desta qualificação, a introdução, durante o Séc. XV, da Renascença Humanista por artistas e intelectuais italianos; a substituição do latim pelo vernáculo no séc. XVI, durante a Reforma; a absorção, nos séc. XVIII e XIX, do Iluminismo francês e do Liberalismo ocidental.

No início do séc. XX os intelectuais húngaros tentaram a compatibilização de elementos culturais húngaros com a moderna cultura ocidental.

Depois da II Guerra Mundial a vida cultural húngara foi dominada por padrões soviéticos, uma situação que se manteve até 1989, data em que a Hungria recuperou a sua independência política.

A escolaridade é obrigatória para a faixa etária dos 6 aos 14 anos – escola primária -, sendo precedida da frequência generalizada em jardins de infância a partir dos três anos de idade. O ensino secundário e o superior são grandemente subsidiados pelo Estado. O primeiro, distribui-se por Ginásios, com preparação académica bilingue, por Escolas Técnicas e por Escolas Profissionais diversificadas. No que se refere ao ensino superior, poderão os leitores de Millenium encontrar uma informação mais detalhada nos dois artigos seguintes, o primeiro dos quais da autoria do actual Secretário de Estado do Ensino Superior da Hungria, Professor-Doutor László Dinya, a quem esta publicação fica extremamente grata pela oferta e pela colaboração.

Num país quase isento de analfabetismo e com um nível cultural elevado, o número de bibliotecas públicas é superior a cinco mil. De entre elas deverão salienta-se aqui a Biblioteca Nacional Széchényi, fundada em Budapest em 1802, com cerca de dois milhões e meio de volumes e mais de quatro milhões de outros documentos; Os Arquivos Nacionais, também em Budapest, e a Biblioteca do Parlamento.

Em toda a Hungria existem mais de cem museus públicos. De entre os que se situam na capital, merecem referência especial o Museu Nacional, o Museu Nacional Húngaro de História Natural e o Museu Húngaro de Belas Artes.

Com a introdução do Cristianismo a música sacra do ocidente penetrou na Hungria, sobretudo com os cantos gregorianos e, posteriormente, com os corais da Reforma protestante. A música secular manteve-se sempre mais influenciada pelos estilos do leste europeu; pelos ciganos, vindos da índia, que introduziram um estilo vocal próprio no séc. XV; pela harmonia oriental dos turcos, que ocuparam o país nos séc. XVI e XVII.

Durante os séc. XVII e XVIII, nas cortes principescas, havia companhias de ópera e orquestas com muitos músicos estrangeiros. De entre eles, destaca-se o nome de Joseph Haydn, que trabalhou durante trinta anos para uma família nobre de Budapeste.

No séc. XIX os compositores mais notáveis foram Franz Liszt e Ferenc Erkel. O primeiro, embora nascido no país, viveu a maior parte da sua vida no estrangeiro; Erkel foi o autor do Hino Nacional e também da primeira ópera húngara.

Só no séc. XX a música nativa começou a ter aceitação nacional, invertendo a tradição anterior quase totalmente dominada pela música alemã. Figuras mais notáveis, Béla Bartok (1881-1945) e Zóltan Kodály (1882-1967). Foi fundamental o seu trabalho de recolha de canções populares, criando uma música húngara viva, dada a conhecer no ocidente por Harsányi e Lajtha, entre outros.

No final dos anos cinquenta, contudo, alguns jovens compositores húngaros começaram a rejeitar este estilo “folk” e a explorar abordagens mais recentes na composição.

No âmbito literário, e apenas no que se refere ao séc. XX, assinalam-se os nomes e as obras mais significativas produzidas, sendo justo que se faça uma menção da revista literária “Nyugat” (Ocidente), fundada em 1908.

Grandes poetas do início do século, Endre Ady (1877-1919), Mihály Babits (1883-1941), Deszö Kosztolányi (1885-1936).

Zsigmond Möricz (1979-1942) é geralmente considerado o maior romancista húngaro: “Gold Nugget” (1910), “Butterfly” (1925), as trilogias históricas “Transylvania” (1935) e “Rósza Sandor” (1940) são as suas obras mais conhecidas.

Nos anos que se seguiram à I Guerra Mundial, e na poesia, Lörincz Szabó (1900-1957), um subtil lírico individualista, Gyula Illyés (1902-1937), ensaísta e biógrafo; Attila Jószef (1905-1937), cuja poesia combina o antigo folclore húngaro e elementos da moderna psicologia; e Miklós Radnóti (1909-1944), um poeta elegíaco assassinado por nazis húngaros, são figuras dominantes.

Na prosa, destaque para Lajos Ziláhy (1891-1974), dramaturgo e autor do romance épico “The Dukays”, talvez a melhor descrição da Hungria pré-conflito mundial; para Tibor Dery (1894-1977), antigo ex-comunista e um dos líderes da revolução de 1956 contra o regime, conhecido sobretudo pelas suas duas obras mais fundamentais – “The Unfinished Sentence” (1946) e “Niki” (1956); para László Németh (1901-1975), com o seu romance “Revulsion” (1947).

Remetemos os nossos leitores eventualmente interessados no conhecimento da actual prosa literária húngara para a edição em língua francesa de “Auteurs Hongrois d”aujourd”hui”, uma antologia de textos de trinta escritores dirigida e apresentada por Thomas Szende, editada por IN FINE em 1996 com apoio da Fundação Milán Fúst, do Ministério da Cultura da República da Hungria, da Comissão Europeia de Bruxelas (Direcção-Geral de Acção Cultural) e do Instituto Francês de Budapeste.

“Eterna Moment”, título dado a uma selecção de poemas de Sándor Weöres (1913- ) editada pela Anvil Press Poetry em 1988, dar-lhe-á a conhecer uma personalidade ímpar na cultura húngara contemporânea, um autor preocupado com o lugar do homem no mundo e no cosmos que considera Karl Kerényi, professor de estudos clássicos na Universidade de Pécs, onde Weöres iniciou o seu curso superior em 1933, Béla Hamvas, filósofo e romancista com quem o poeta privou a partir de 1944, e Lajos Fülep, filósofo e historiador de arte, igualmente professor em Pécs e, posteriormente no Colégio Eötvös de Budapeste, as três influências decisivas na sua obra.

Não resistimos à tentação de lhes recomendar “An Encounter with no one” e “The lost parasol”, extraídos de “Orbis Pictus” e “Queen Tatavane”, extraído de “Orpheus”.

FONTES

  • DUBY, GEORGES – Atlas Histórico Mundial. Madrid: Editorial Debate, s/data. Tradução do original francês – Atlas Historique -, Librairie Larousse, 1987.
  • Grand Larousse Encyclopédique (Tome cinquiême): Paris: Librairie Larousse, 1962.
  • Auteurs Hongrois d”Auiourd”hui. Anthologie dirigée et présentée par Thomas Szende. Paris: IN FINE, 1996.
  • WEÖRES, SÁNDOR. Eternal Moment. London. Anvil Press Poetry Ltd, 1988.
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Petőfi Sándor: Föltámadott a tenger

Föltámadott a tenger (Magyar)

Föltámadott a tenger,
A népek tengere;
Ijesztve eget-földet,
Szilaj hullámokat vet
Rémítő ereje.

Látjátok ezt a táncot?
Halljátok e zenét?
Akik még nem tudtátok,
Most megtanulhatjátok,
Hogyan mulat a nép.

Reng és üvölt a tenger,
Hánykódnak a hajók,
Sűlyednek a pokolra,
Az árboc és vitorla
Megtörve, tépve lóg.

Tombold ki, te özönvíz,
Tombold ki magadat,
Mutasd mélységes medred,
S dobáld a fellegekre
Bőszült tajtékodat;

Jegyezd vele az égre
Örök tanúságúl:
Habár fölűl a gálya,
S alúl a víznek árja,
Azért a víz az úr!

Ergue-se o mar… (Portugál)

Ergue-se o mar,
O mar dos povos,
Que aterroriza o mundo inteiro
Com vagas enormes, destemidas,
Com a sua força tremenda.

Vedes esta dança?
Ouvis esta música?
Se ainda o não sabeis
Podeis aprender agora
De que maneira o povo se diverte.

O mar estremece e ruge,
Os navios balançam
E afundam-se no inferno.
As velas rotas abatem-se
Sobre os mastros quebrados.

Delira mar,
Delira à tua vontade,
Mostra o abismo profundo
E lança para o céu
Uma nuvem de espuma.

Escreve com ela
o teu aviso eterno:
Embora a galera esteja por cima,
E por baixo a corrente do mar,
É o mar quem manda!

Yvette K. Centeno

 

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Vas István: Motorbicikli

Motorbicikli (Magyar)

Kik fogják és fogják-e majd kinyitni
A nyugtatások átkos ajtaját?
Kék villanással egy motorbicikli
Vibrál, robog fekete parkon át.

Ne hagyj el azon a holdtalan estén,
Te is surranj be, tolvaj értelem.
A dombok közt kék lámpa, ídeges fény.
Honnan? hová? minek is kérdezem

A motocicleta (Portugál)

Quem te abrirá – se é que alguém abrirá –
A porta escondida do apaziguamento?
Uma motorcicleta, a luz do seu clarão azul…
Vibrando ela atravessa um sombrio parque.

Nessa noite, não me abandones.
Vem até mim, em segredim razão!
Entre os montes, o clarão azul de um farol,
vem de onde, vai para onde?
Para quê as perguntas?

Egito Goncalves

 

 

 

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Babits Mihály: Jónás imája

Jónás imája (Magyar)

Hozzám már hűtlen lettek a szavak,
vagy én lettem mint túláradt patak
oly tétova céltalan parttalan
s ugy hordom régi sok hiú szavam
mint a tévelygő ár az elszakadt
sövényt jelzőkarókat gátakat.
Óh bár adna a Gazda patakom
sodrának medret, biztos útakon
vinni tenger felé, bár verseim
csücskére Tőle volna szabva rim
előre kész, s mely itt áll polcomon,
szent Bibliája lenne verstanom,
hogy ki mint Jónás, rest szolgája, hajdan
bujkálva, később mint Jónás a Halban
leszálltam a kinoknak eleven
süket és forró sötétjébe, nem
három napra, de három hóra, három
évre vagy évszázadra, megtaláljam,
mielőtt egy mégvakabb és örök
Cethal szájában végkép eltünök,
a régi hangot s, szavaim hibátlan
hadsorba állván, mint Ő sugja, bátran
szólhassak s mint rossz gégémből telik
és ne fáradjak bele estelig
vagy míg az égi és ninivei hatalmak
engedik hogy beszéljek s meg ne haljak.

Prece de Jonas (Portugál)

Já infiéis as palavras se me tornam
ou transformei-me em regato que transborda
tão inseguro, sem margem nem desígnio,
minhas antigas palavras vãs comigo
as trago como a cheia que arrebata
errante vedações, diques e estacas.
Oh, se o dono à torrente desse um leito
que transportasse pelos caminhos certos
o meu regato em direcção ao mar,
me cedesse a rima eterna para coroar
os versos e, na estante, a santa Bíblia
fosse o meu breviário de poesia,
para que eu, como outrora o servo indolente,
Jonas, fugitivo e submerso no peixe,
nas trevas ardentes, surdas e vivas
da dor, não apenas durante três dias
mas meses ou anos ou mesmo durante
três séculos, possa encontrar novamente,
antes de tragar-me uma outra baleia
mais cega e perene, a minha voz primeira,
e as minhas palavras, por Ele inspiradas,
ousem alinhar perfeitas para a batalha
e eu clame incansável até que sem força
a garganta doente à noite se rompa,
até que os poderes do céu e de Ninive
consintam que eu fale e ainda não morra.

 

Teresa Balté

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Csokonai Vitéz Mihály: A reményhez

A reményhez (Magyar)

Főldiekkel játszó
Égi tűnemény,
Istenségnek látszó
Csalfa, vak Remény!
Kit teremt magának
A boldogtalan,
S mint védangyalának,
Bókol úntalan.
Síma száddal mit kecsegtetsz?
Mért nevetsz felém?
Kétes kedvet mért csepegtetsz
Még most is belém?
Csak maradj magadnak!
Biztatóm valál;
Hittem szép szavadnak:
Mégis megcsalál.

Kertem nárcisokkal
Végig űltetéd;
Csörgő patakokkal
Fáim éltetéd;
Rám ezer virággal
Szórtad a tavaszt
S égi boldogsággal
Fűszerezted azt.
Gondolatim minden reggel,
Mint a fürge méh,
Repkedtek a friss meleggel
Rózsáim felé.
Egy híjját esmértem
Örömimnek még:
Lilla szívét kértem;
S megadá az ég.

Jaj, de friss rózsáim
Elhervadtanak;
Forrásim, zőld fáim
Kiszáradtanak;
Tavaszom, vígságom
Téli búra vált;
Régi jó világom
Méltatlanra szállt.
Óh! csak Lillát hagytad volna
Csak magát nekem:
Most panaszra nem hajolna
Gyászos énekem.
Karja közt a búkat
Elfelejteném,
S a gyöngykoszorúkat
Nem irígyleném.

Hagyj el, óh Reménység!
Hagyj el engemet;
Mert ez a keménység
Úgyis eltemet.
Érzem: e kétségbe
Volt erőm elhágy,
Fáradt lelkem égbe,
Testem főldbe vágy.
Nékem már a rét hímetlen,
A mező kisűlt,
A zengő liget kietlen,
A nap éjre dűlt.
Bájoló lágy trillák!
Tarka képzetek!
Kedv! Remények! Lillák!
Isten véletek!

1803

À esperança (Portugál)

Meteoro com
terrestres que lança,
tem de Deus o tom
falsa cega Esperança!
Criou-se pra ela
homem infeliz,
e, anjo que vela,
saúda sem vis. –
Espelhas, boca lisa,
o quê? ris, porquê?
Porque se tamisa
duvidoso qu’rer?
Sê sozinha aí!
Fui encorajado;
vozes lindas cri:
inda enganado.

Plantaste narcisos
plo meu jardim fora;
regato de guizos
regou minha flora;
mil flores verteste
em mim – Primavera -,
e sorte celeste
seu perfume era.
Cedo, pensamentos
iam, laboriosas
abelhas, no quente,
para as frescas rosas.
Na minha alegria,
algo me faltava:
de Lilla pedia
coração; céu dava.

Ai, perderam sede
rosas frescas; minhas
fontes, troncos verdes,
secaram, asinha;
Primavera cor,
triste Inverno cedo;
bom mundo anterior
fez-se arremedo.
Oh! deixasses só
Lilla, só aqui:
meu canto de dó
não se queixaria.
Em seus braços bem
esquecia tristeza,
sem invejar quem
se fez realeza.

Deixa-me, Esperança!
Oh, entregue a mim;
que dura avança
minha morte assim.
Sinto dividida
força que em mim era –
quer alma sem vida
céu; meu corpo, terra.
O prado, vazio,
os campos, queimados,
o parque sem pio,
noite nos dois lados. –
Gentis doces trilos!
Quadros de mil têmperas!
Qu’rer! Esperança! Lillas! –
Adeus, para sempre!

Ernesto Rodriges

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József Attila – Mama

Mama (Magyar)

Már egy hete csak a mamára
gondolok mindíg, meg-megállva.
Nyikorgó kosárral ölében,
ment a padlásra, ment serényen.

Én még őszinte ember voltam,
ordítottam, toporzékoltam.
Hagyja a dagadt ruhát másra.
Engem vigyen föl a padlásra.

Csak ment és teregetett némán,
nem szidott, nem is nézett énrám
s a ruhák fényesen, suhogva,
keringtek, szálltak a magosba.

Nem nyafognék, de most már késő,
most látom, milyen óriás ő –
szürke haja lebben az égen,
kékítőt old az ég vizében.

Mamã (Portugál)

Há uma semana que só já
penso a cada instante na mamã.
Com um cesto rangente nos braços
ia ao sótão, num desembaraço.

Eu era ainda homem sincero,
gritava, os pés em desespero.
Deixa pra outros a roupa tesa.
Leve-me a mim ao sótão, não peso.

Mas subia, estendia, calada,
sem um ralho, nem sequer olhada,
e as roupas em luz, num frufulhar,
volteavam, esvoaçavam no ar.

Não chorarei, que tarde é já, antes
observo como ela era gigante –
seu cabelo ruço no céu vaga,
o azul dissolve na celeste água.

Ernesto Rodriges

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